É estranha essa sensação de eu estar me desmanchando. Estou assim: pedaços meus por aí. Já quase me anulando por completo.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
PERDER-SE NO TEMPO
Me perco nos dias, nas semanas e até nas horas. Os anos
assim se passam inexoráveis e eu me sinto atropelado pelo tempo.
Pena que também seja invisível. Ou vai ver é só uma coisa da minha
cabeça. Uma invenção qualquer da qual o mundo inteiro compartilha comigo essa loucura.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
IMAGINE SE NÃO HOUVESSE NEM PASSADO E NEM FUTURO
Quero um momento com você
De portas trancadas
Sozinhos aqui dentro
Inteiramente nus e lado a lado
Sem futuro e nem passado
Vivendo apenas este instante
Em que deixamos todos os problemas lá pra fora
Um momento, dedicado a nós mesmos
Um momento, dedicado ao agora
E que enfim revelamos nossas almas
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
MEMÓRIA
Esse mundo em que num clique,
numa formatação de computador, toda sua memória vai embora. É isso mesmo?
Modernidade não pode nos
levar a este vazio.
Fotos que nunca mais veremos,
não significam que os momentos vividos foram em vão. Ainda carregamos, e guardamos, todos aqueles sentimentos de tempos atrás. É isso que realmente vale, o resto não faz parte
de nós. Sejam as fotos de papel ou na tela do computador.
E então, antes de dormir,
quando você pára tudo na sua vida, dá uma olhadinha para trás e acena para
todas essas lembranças. Percebe que já fazem parte de você e que irão acompanhá-lo
por toda sua vida.
Guarde tudo na sua memória: uma, duas, três vidas.
domingo, 11 de novembro de 2012
SEU PERFUME EM MIM
E eu tento conservar o seu perfume em mim.
Às vezes, o tempo faz dissipar.
E o seu cheiro
se mistura com o vento.
Mas às vezes não tem jeito.
Às vezes, o tempo faz dissipar.
E o seu cheiro
se mistura com o vento.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
SONHO REALIDADE
Há quanto tempo não consigo acordar desse sono?
É tão forte sobre mim.
Chego a confundir sonho com realidade.
E, como uma sombra, o sonho toma conta do meu ser.
Uma escuridão em meus sentidos.
Uma loucura em minha mente.
Um sono que talvez eu acorde.
E minha consciência me dirá se era tudo uma verdade.
Ou me enganaria em tudo novamente.
É tão forte sobre mim.
Chego a confundir sonho com realidade.
E, como uma sombra, o sonho toma conta do meu ser.
Uma escuridão em meus sentidos.
Uma loucura em minha mente.
Um sono que talvez eu acorde.
E minha consciência me dirá se era tudo uma verdade.
Ou me enganaria em tudo novamente.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
FRAGMENTO DE UMA NOITE FRITA
De repente o som daquela água que não para de correr. Alguém foi ao banheiro e acionou a descarga da privada do jeito errado. De lá agora vem um barulho incessante, atordoante e capaz de fazer parar o tempo.
Mas por mim tudo bem. Nada vai me incomodar neste momento, em que o tempo, já não me faz mais sentido algum mesmo.
Mas por mim tudo bem. Nada vai me incomodar neste momento, em que o tempo, já não me faz mais sentido algum mesmo.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
MADRUGADAS OPOSTAS
Meia-noite e trinta. Me reviro na cama sem conseguir dormir. O sono não vem, a mente não descansa. Na tentativa de impedir que insistentes pensamentos ruins me venham à mente, cubro a cabeça com meu travesseiro. Mesmo assim não consigo impedir o pensamento, pelo contrário, isso faz vir à tona, de que minha amada, a essa hora, não está com sua cabeça também repousada sobre seu travesseiro a dormir. E é tão ruim saber disso. É tão ruim saber que a madrugada dela será longa - ela tem muito o que viver durante essas horas - e já a minha, diferentemente, durará apenas o breve instante de um sono mal dormido.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
NOTAS DE UM QUASE-ESCRITOR EM BUSCA DE SI
Faz um tempo que tentava voltar a escrever. Procurava as palavras certas, é difícil encontrá-las em meio a tanta escuridão. Mas aos poucos vou descobrindo que não há palavras certas a escolher: são elas que me escolhem. Meu dever então se resume a dar-lhes vida e pô-las em relevo, lapidando cada uma delas até, juntas, formarem algo real. E é durante, e através dessa labuta que eu consigo me conhecer melhor.
A vida parece nos atropelar de modo que dificilmente encontramos tempo suficiente para nós mesmos. Aquele tempo necessário para vaguear por nossa alma. Transitar entre nossos infinitos universos íntimos. Mas, repito, aqui o tempo se faz necessário, bem como o silêncio da escuridão e a reflexão da solidão. São minutos e mais minutos até conseguirmos abrir nossas pesadas portas que preenchem a alma e todos os seus saguões. Acredito haver uma chave específica para cada porta dessas, e cada porta aberta leva-nos à uma descoberta sobre nós. Pode ser aquele segredo sobre si que nem você mesmo imaginaria existir, ou aquela recordação meio apagada pelo tempo, mas que ainda está viva em você.
Seguindo pelos caminhos tortuosos de nossa alma, somos invadidos pela sensação de que sempre estaremos perdidos dentro dela. Deveras não há solução, pois trata-se de um emaranhado impossível. Porém, a busca por novos caminhos a seguir é o que nos mantém vivos, e essa é a graça da viagem: não ter destino certo. O estado sublime de se deixar levar, sem preocupações.
Algumas das chaves que abrem as minhas portas são constituídas pela minha imaginação. Expressada por palavras combinadas que, de um modo quase mágico, vêm a mim, juntam-se (ou eu as junto), e revelam meus segredos. Minha alma então pode se metamorfosear. Ela é externada, materializa-se. Torna-se visível tanto para os outros, como para mim mesmo. Porque, se me é possível enxergar-me diante de um espelho, é através de meus escritos que consigo vislumbrar, de alguma forma, a minha alma como um todo. Assim eu continuo a percorrer por entre meus universos e, ao mesmo tempo, me conhecendo (ou seria re-conhecendo?) melhor. Enfim consigo me encontrar.
Volto-me novamente à minha busca pelas palavras certas. Insisto. No entanto, constato: realmente não tenho muita escolha. Quando me coloco a escrever, transcrevendo para o papel essas palavras que vêm até à mim, estou na realidade tentando aquietar o meu espírito. Mas se ele continuar confuso e sombrio, então meus escritos serão confusos e obscuros. Sem medo, sem restrições. Um reflexo fiel, uma viagem sem fim.
sábado, 6 de agosto de 2011
Lições para a Nossa Luta Diária
Numa luta de boxe, se você apenas se esconder, suas chances de vencer serão nulas. A sua covardia certamente irá se apoderar de você e o fará paralisar, a ponto de todo o seu treinamento para aquele momento, ir por água abaixo. Mesmo que você fosse melhor que o seu adversário, sua superioridade seria anulada pelo medo paralisante. Inevitavelmente, o medo estará com você durante os minutos de árduo duelo. E embora ele seja algo instintivo e natural, que na medida certa o protege, não deve sobrepor-se ao objetivo maior de atacar o oponente.
Fugir e se esconder, definitivamente não é o caminho para a vitória. É preciso encarar o problema - no caso, o seu oponente golpeando você - de frente, de olhos bem abertos. É muito mais fácil bater em um animal acovardado e resignado. Você se esconder do problema, é permitir que ele o golpeie sem resistência. E mais, mesmo com você fugindo covardemente, os minutos do round serão sempre os mesmos. Passarão lentos e dolorosamente, caso não desista antes do final da luta.
Encare o fato: você está numa luta. E está para vencer.
Sem dúvida, há momentos em que você deve se esquivar e se proteger (não se esconder). Utilize-se destes momentos. É a hora de respirar (sim, é possível respirar enquanto apanha, lembre-se, você treinou para isso) e analisar os movimentos do oponente. E com base nisso, atacar na hora certa e do modo certo.
Porém, se você estiver sempre se escondendo, com medo de encarar o seu problema, seus olhos estarão sempre fechados: nenhuma reação será possível. Você se resignará à iminente derrota: o problema vence. Você é nocauteado, de olhos fechados, sem nem ao menos saber de onde viera o soco fatal.
Fugir e se esconder, definitivamente não é o caminho para a vitória. É preciso encarar o problema - no caso, o seu oponente golpeando você - de frente, de olhos bem abertos. É muito mais fácil bater em um animal acovardado e resignado. Você se esconder do problema, é permitir que ele o golpeie sem resistência. E mais, mesmo com você fugindo covardemente, os minutos do round serão sempre os mesmos. Passarão lentos e dolorosamente, caso não desista antes do final da luta.
Encare o fato: você está numa luta. E está para vencer.
Sem dúvida, há momentos em que você deve se esquivar e se proteger (não se esconder). Utilize-se destes momentos. É a hora de respirar (sim, é possível respirar enquanto apanha, lembre-se, você treinou para isso) e analisar os movimentos do oponente. E com base nisso, atacar na hora certa e do modo certo.
Porém, se você estiver sempre se escondendo, com medo de encarar o seu problema, seus olhos estarão sempre fechados: nenhuma reação será possível. Você se resignará à iminente derrota: o problema vence. Você é nocauteado, de olhos fechados, sem nem ao menos saber de onde viera o soco fatal.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
INEVITAVELMENTE AMANHÃ
Você sente que já dissera todas as palavras. Vem o vazio, o torpor.
Inevitavelmente chega o amanhã e você acordará para ir trabalhar. Calado.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
TRABALHO, SANGUE E PÓLVORA
Foi mais uma longa noite de trabalho, sangue e pólvora. Ambos agora em casa, no seu refúgio, longe de toda aquela porcaria das ruas.
E então ela parou tudo e lhe perguntou: “Será que isso ainda vai nos matar algum dia?”. Essa era exatamente a pergunta que ele se fazia todos os dias. Porém, manteve-se impassível: “Não sei, continue chupando”.
A mesma ideia poderia estar perturbando ambas as mentes, mas aquele não era momento para discussões.
terça-feira, 27 de julho de 2010
COMUNICAÇÃO E ENIGMAS: DECIFRA-ME
Por muitos anos fechara-se em si mesmo e ouvia somente as palavras que vinham do seu âmago. Assim, sua essência foi sendo preenchida por enigmas e segredos sobre si.
Então invocou um pensamento que o despertou e resgatou-o de seu abismo solitário. Supostamente, era um pensamento corajoso: “Só consegue quem tenta”. Porém, mais fácil do que o pôr em prática, era mantê-lo apenas na mente.
Mas hoje ele resolveu se impor e descobrir-se para o mundo: limpou sua mesa e se pôs a escrever. Sentou-se. De costas para a cama: hoje os sonhos vão esperar. “Agora eu quero o mundo como meu ouvinte”. Eis que todos ouçam o eco da sua alma através das suas palavras escritas.
Ele quer tentar, mas conseguir é outra história. Enquanto ainda mantém em mente o lema “só consegue quem tenta”, rabisca automaticamente na sua folha de papel “só tenta quem consegue”. Tudo errado! Embora suas palavras sejam o reflexo da sua alma carregada de mistérios, são justamente as palavras que traem sua intenção de se comunicar com o mundo.
Sua necessidade parece ter se transviado. Seus valores se inverteram. Inverteram-se tanto, que os seus escritos demonstram que ele quer que o mundo o decifre (e não o contrário). Inconscientemente, essa é a sua verdadeira busca.
sábado, 17 de julho de 2010
PÔR DO SOL DUAS VEZES
Eu estava com um grupo de pessoas, era de tardinha mas já escuro, já anoitecido. Então, subitamente, o céu clareou novamente e o sol começou a se pôr outra vez. Mas desta vez era algo mais belo que o normal. Pois todos sabiam: o sol se pôr duas vezes era algo que não acontecia todo dia. Era o habitual se transformando em fantástico.
Era lindo. As pessoas correram para ver essa maravilha. Porém, eu não pude. Minhas pernas me pareciam muito pesadas. Não conseguia andar. Me senti preso a alguma coisa desconhecida, invisível. Todos lá fora, de pé sobre o gramado assistindo ao segundo pôr do sol do dia. E eu cambaleando ao tentar andar, olhando para o chão e para minhas pernas quase estéreis, devorando minha consciência.
Entretanto, aquelas eram as MINHAS pernas. Eu realmente não podia culpar nada além de mim mesmo. Concluí também que no dia seguinte, se me fosse possível, eu não perderia a oportunidade de contemplar algo tão lindo como o pôr do sol, mesmo ele sendo o primeiro e único daquele dia que viria. Isso não faria dele menos belo, seria maravilhoso do mesmo jeito.
Era lindo. As pessoas correram para ver essa maravilha. Porém, eu não pude. Minhas pernas me pareciam muito pesadas. Não conseguia andar. Me senti preso a alguma coisa desconhecida, invisível. Todos lá fora, de pé sobre o gramado assistindo ao segundo pôr do sol do dia. E eu cambaleando ao tentar andar, olhando para o chão e para minhas pernas quase estéreis, devorando minha consciência.
Entretanto, aquelas eram as MINHAS pernas. Eu realmente não podia culpar nada além de mim mesmo. Concluí também que no dia seguinte, se me fosse possível, eu não perderia a oportunidade de contemplar algo tão lindo como o pôr do sol, mesmo ele sendo o primeiro e único daquele dia que viria. Isso não faria dele menos belo, seria maravilhoso do mesmo jeito.
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