domingo, 17 de março de 2013

UM BRILHO DE MISTÉRIOS


Apesar de sempre vê-la atrás daquele balcão, eu não a conheço praticamente nada. É a distância da timidez. Da minha, com certeza, da dela, eu já não sei.

Ontem, num raro momento oportuno me aproximei e lhe falei. Mistura de palavras banais com frases soltas, apenas para tentar quebrar barreiras e me fazer presente. No entanto, suas respostas eram secas, tanto quanto meus comentários sem sentido. Sim, nosso diálogo fora confuso e entrecortado. Enquanto isso, seus olhos buscavam fugir dos meus por algum motivo desconhecido para mim.

Então, quando nosso contato já se encaminhava para o fim, ela finalmente fixou seus negros olhos nos meus. Infelizmente não fui capaz de identificar se foi um olhar de ódio ou desespero. Mas, sim, havia um brilho neles.

Agora eu penso nisso. Talvez ela se sinta sozinha o suficiente para que, com a minha despedida embaraçada, tenha realmente sentido esses dois sentimentos ao mesmo tempo. Ou, quem sabe, eu esteja inteiramente enganado, já que eu não a conheço mesmo. Somente sei do brilho enigmático do seu olhar.

Por fim, acho que prefiro deixar tudo assim mesmo: ela envolta num véu de mistérios para mim. Pelo menos por enquanto...

segunda-feira, 11 de março de 2013

QUANDO ACIDENTALMENTE PERFURAR MEUS OLHOS


Quando acidentalmente eu perfurar meus olhos, o sangue que escorrerá do meu vazio ocular terá passado antes pelo meu coração. Afinal é de lá que ele vem.

E se novamente minha mente evocar a sua imagem, será agora o reflexo visto pelos meus olhos jogados ali no chão a te contemplar, inertes.

Um acidente necessário para mudar nosso ponto de vista. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Quem sabe um dia você saberá o que perdeu. Ou talvez não. Talvez, seu grande resto de vida será sempre construído em areia. Vidinha superficial. Castelos de areia. Tão bobinha que ainda é,,,, Terrível destino o seu.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

SAIR FORA


Preciso sair fora. Desconectar-me de tudo isso. Tem algo certo nessa merda toda mesmo? Apenas expectativas.
São esses olhos que não saem da minha mente. Os olhares.
Acho que meu cérebro está começando a pesar demais dentro da minha cabeça. Injetaram olhos nele enquanto eu dormia e sonhava. Eles agora conseguem ver minhas ligações internas de pensamento.
Vou sair fora. Para longe. Lugar deserto. Uma fuga.
Sem horizontes e nem falsas expectativas. Apenas eu e meus olhos. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

LIDANDO COM O TEMPO


A passagem do tempo é invisível como o vento e inevitável como a morte. Sem ela, estaríamos estagnados para sempre no presente: sem as possibilidades do futuro, sem as lembranças de um passado. E assim estamos vivos.

Mas o tempo por si só não faz mudanças. O que realmente determina a direção de nossas vidas, é o modo com que lidamos com ele.

Por isso, vamos lá! O tempo voa. E só depende de nós mesmos voar com este poderoso vento, contra ou favor dos nossos objetivos. Até que a morte dê um fim à nossa história. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

DESMANCHAR-SE


É estranha essa sensação de eu estar me desmanchando. Estou assim: pedaços meus por aí. Já quase me anulando por completo.

PERDER-SE NO TEMPO


Me perco nos dias, nas semanas e até nas horas. Os anos assim se passam inexoráveis e eu me sinto atropelado pelo tempo.
Pena que também seja invisível. Ou vai ver é só uma coisa da minha cabeça. Uma invenção qualquer da qual o mundo inteiro compartilha comigo essa loucura.