sábado, 6 de agosto de 2011
Lições para a Nossa Luta Diária
Fugir e se esconder, definitivamente não é o caminho para a vitória. É preciso encarar o problema - no caso, o seu oponente golpeando você - de frente, de olhos bem abertos. É muito mais fácil bater em um animal acovardado e resignado. Você se esconder do problema, é permitir que ele o golpeie sem resistência. E mais, mesmo com você fugindo covardemente, os minutos do round serão sempre os mesmos. Passarão lentos e dolorosamente, caso não desista antes do final da luta.
Encare o fato: você está numa luta. E está para vencer.
Sem dúvida, há momentos em que você deve se esquivar e se proteger (não se esconder). Utilize-se destes momentos. É a hora de respirar (sim, é possível respirar enquanto apanha, lembre-se, você treinou para isso) e analisar os movimentos do oponente. E com base nisso, atacar na hora certa e do modo certo.
Porém, se você estiver sempre se escondendo, com medo de encarar o seu problema, seus olhos estarão sempre fechados: nenhuma reação será possível. Você se resignará à iminente derrota: o problema vence. Você é nocauteado, de olhos fechados, sem nem ao menos saber de onde viera o soco fatal.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
INEVITAVELMENTE AMANHÃ
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
TRABALHO, SANGUE E PÓLVORA
terça-feira, 27 de julho de 2010
COMUNICAÇÃO E ENIGMAS: DECIFRA-ME
sábado, 17 de julho de 2010
PÔR DO SOL DUAS VEZES
Era lindo. As pessoas correram para ver essa maravilha. Porém, eu não pude. Minhas pernas me pareciam muito pesadas. Não conseguia andar. Me senti preso a alguma coisa desconhecida, invisível. Todos lá fora, de pé sobre o gramado assistindo ao segundo pôr do sol do dia. E eu cambaleando ao tentar andar, olhando para o chão e para minhas pernas quase estéreis, devorando minha consciência.
Entretanto, aquelas eram as MINHAS pernas. Eu realmente não podia culpar nada além de mim mesmo. Concluí também que no dia seguinte, se me fosse possível, eu não perderia a oportunidade de contemplar algo tão lindo como o pôr do sol, mesmo ele sendo o primeiro e único daquele dia que viria. Isso não faria dele menos belo, seria maravilhoso do mesmo jeito.
sábado, 29 de maio de 2010
ANOTAÇÕES SOBRE "ANGÚSTIA", DE GRACILIANO RAMOS
Escrever sobre Angústia, de Graciliano Ramos, é tentar transcrever o quão importante tal obra foi para mim. Esse livro me foi um marco porque realmente foi ele que me fez abrir meus olhos para a literatura brasileira, que antes eu achava muito chata. Isso se deveu talvez pela falta de maturidade minha na época; pela obrigação imposta pela escola que tentava empurrar goela abaixo certos livros; ou também porque eu estava envolvido com a literatura estrangeira, como Agatha Christie, Tolkien e Sherlock Holmes.
Além da mudança de olhar sobre a literatura brasileira, Angústia me foi um divisor de águas também diante da forma de narrativa. Nos meus primeiros contatos com os livros, desde a infância, a maioria das histórias priorizavam as ações das personagens envolvidas ao invés de se aprofundar e saber dos porquês dos atos cometidos por elas. Salvo os livros da Agatha Christie onde, por exemplo, o detetive presente em vários de seus romances, Hercule Poirot, utilizava-se muitas vezes da psicologia para desvendar os crimes. Mas mesmo assim, não havia um mergulho na mente das personagens. Foi então que eu me vi, conforme lia Angústia, dentro da mente de Luis da Silva, personagem-narrador da história. Percebi essa outra vertente da literatura, desconhecida por mim até então, a narrativa subjetiva.
Eu me recordo de como foi o desenvolver da minha leitura de Angústia. Assimilava o estilo de escrita de Graciliano: pausado, períodos curtos, frases incisivas. Comecei devagar, lia todas as noites antes de dormir, porém avançava sempre poucas páginas. Depois embalei e as páginas fluíram num ritmo mais intenso. Talvez isso tenha me proporcionado uma melhor absorção daquele universo de Luis da Silva. Aos poucos me acostumava com o seu modo de vida pacato e seu jeito complexado de pensar.
Escritor numa repartição próxima sua casa, Luis da Silva morava praticamente sozinho, tinha como companhia apenas sua empregada, uma velha que passava os dias atarefada e distante do seu patrão. Embora sempre com visitas em casa, as quais se tornariam habituais e incomodas, era um ser solitário. Pois, tanto quanto as visitas, quanto o resto das pessoas, não lhe importavam muito. Irritava-se facilmente com elas. É aí que surge uma pessoa que muda sua vida: Marina. Apesar do alto teor romântico da última frase que escrevi, alerto: Não! Angústia não é piegas, pois o que mais está em jogo na narrativa não é o eventual amor que Luis nutre por Marina, e sim como ele pensa e reage quanto às desavenças que ocorrem.
Enfim, o livro discorre sobre os conflitos psicológicos vividos pela personagem-narrador Luis da Silva, onde se encontra Marina no centro de tudo isso. E nada melhor para se adentrar nos pensamentos de alguém se não for ele mesmo quem conta os fatos. Tudo sob seu ponto de vista. E você, leitor, fica preso aos seus olhos, que se tornam o fator principal da história.
terça-feira, 23 de março de 2010
SANGUE E ÁGUA SUJA
"Não, não se assuste", dizem os glóbulos brancos. Ao passo que os vermelhos dizem: "É tudo uma questão de anatomia". E eu digo o mesmo a você.
Se eu pudesse beber todo esse sangue. Beber o sangue de todo o mundo, beberia todo o conhecimento da Terra, pois a sabedoria das pessoas está presente no seu sangue. Aí eu seria O Todo Poderoso, poderia ser Deus, seria quem está acima de tudo.
Mas enquanto ainda não posso fazer nada disso, fico aqui... Comendo essa comida estragada e bebendo essa água suja.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
VENHA
QUALQUER LUGAR
ALGUM LUGAR
FAZ-ME ME PENSAR
O QUÃO PEQUENO
SOMOS NÓS
ENTÃO VAMOS LÁ
VENHA A MIM
VIAJAR
PELO ESPAÇO QUE VOCÊ DESCONHECE
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
VIAGEM
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
A MANSÃO
Anotações sobre a casa onde William Wilson, narrador do conto "William Wilson", estudou e cresceu. Baseado no conto de Edgar Allan Poe.
Sempre quando o narrador se refere à mansão onde foi sua primeira escola, onde viveu a maior parte da sua mais tenra fase, e onde grande parte da trama se desenvolve, ele a descreve como irregular e se utiliza de tons oníricos. Lugar de sonho, vetusta e com inúmeras amplas salas, era campo fértil para a imaginação, ou até mesmo um caminho à loucura. E todos esses atributos não se limitavam apenas à mansão, mas serviam também para toda a aldeia que ela se encontrava. A brumosa aldeia, possuía em suas entranhas largas sombras que recobriam suas avenidas. Casava-se perfeitamente com a atmosfera sinistra, porém, tranqüila da acadêmia. Um invólucro de sonho, loucura e imaginação.
A casa, de uma dimensão indizível, parecia ter o poder de absorver seus alunos, sorvendo-os por seus incontáveis aposentos. Os estudantes se perdiam facilmente dentro da mansão; viam-se desprovidos de qualquer senso de direção, não sabendo nem mesmo se estavam no térreo ou em algum outro andar superior.
“Mas a casa! Que edifício estranho e antigo!”, descreve o narrador. Eram corredores tortuosos que levavam a salas; salas que levavam a subsalas; subsalas que continham escadas que sem razão aparente passavam de um nível a outro. Uma mansão qual a mente humana é: múltiplos caminhos e possibilidades. Emaranhados.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
DEFINHAR
Sinto-me sendo definhado pelo passado. Coisas vividas por outra pessoa, mas que me atingem em cheio, corrói meu amor. E tenho medo de que o presente não consiga derrotar os tempos que se foram, condenando os tempos que virão. Pressinto um futuro amargurado e agarrado ao passado.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
A CÂMARA DOS SONHOS
Na Câmara dos Sonhos é possível contemplar-se de um jeito jamais visto: pelos olhos que não existem.
Descobrir-se sem interferências: o sonho é sincero, ele existe sem você pedir. Indomável, revela seu inconsciente.
É a cura é a doença.
Seu inferno ou paraíso.
Ou tudo ilusão. Ilusão. Ilusão.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
PSIQUE FLUIR
Um tempo para ficar parado, olhando para o teto. Observando aquela aranha que mora no canto da minha parede, e até conversar com ela.
Precisando reparar em pequenas coisas banais, mas que sempre existiram, e sempre existirão, agora e depois da minha morte.
Precisando deixar minha mente fluir por si só, e confiar nas ideias que ela me trará.
Deixar minha alma vagar livre por meu quarto.

