terça-feira, 16 de outubro de 2012

SONHO REALIDADE

Há quanto tempo não consigo acordar desse sono?
É tão forte sobre mim.
Chego a confundir sonho com realidade.

E, como uma sombra, o sonho toma conta do meu ser.
Uma escuridão em meus sentidos.
Uma loucura em minha mente.

Um sono que talvez eu acorde.
E minha consciência me dirá se era tudo uma verdade.
Ou me enganaria em tudo novamente.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

FRAGMENTO DE UMA NOITE FRITA

De repente o som daquela água que não para de correr. Alguém foi ao banheiro e acionou a descarga da privada do jeito errado. De lá agora vem um barulho incessante, atordoante e capaz de fazer parar o tempo.
Mas por mim tudo bem. Nada vai me incomodar neste momento, em que o tempo, já não me faz mais sentido algum mesmo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MADRUGADAS OPOSTAS

Meia-noite e trinta. Me reviro na cama sem conseguir dormir. O sono não vem, a mente não descansa. Na tentativa de impedir que insistentes pensamentos ruins me venham à mente, cubro a cabeça com meu travesseiro. Mesmo assim não consigo impedir o pensamento, pelo contrário, isso faz vir à tona, de que minha amada, a essa hora, não está com sua cabeça também repousada sobre seu travesseiro a dormir. E é tão ruim saber disso. É tão ruim saber que a madrugada dela será longa - ela tem muito o que viver durante essas horas - e já a minha, diferentemente, durará apenas o breve instante de um sono mal dormido.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

NOTAS DE UM QUASE-ESCRITOR EM BUSCA DE SI

Faz um tempo que tentava voltar a escrever. Procurava as palavras certas, é difícil encontrá-las em meio a tanta escuridão. Mas aos poucos vou descobrindo que não há palavras certas a escolher: são elas que me escolhem. Meu dever então se resume a dar-lhes vida e pô-las em relevo, lapidando cada uma delas até, juntas, formarem algo real. E é durante, e através dessa labuta que eu consigo me conhecer melhor.

A vida parece nos atropelar de modo que dificilmente encontramos tempo suficiente para nós mesmos. Aquele tempo necessário para vaguear por nossa alma. Transitar entre nossos infinitos universos íntimos. Mas, repito, aqui o tempo se faz necessário, bem como o silêncio da escuridão e a reflexão da solidão. São minutos e mais minutos até conseguirmos abrir nossas pesadas portas que preenchem a alma e todos os seus saguões. Acredito haver uma chave específica para cada porta dessas, e cada porta aberta leva-nos à uma descoberta sobre nós. Pode ser aquele segredo sobre si que nem você mesmo imaginaria existir, ou aquela recordação meio apagada pelo tempo, mas que ainda está viva em você.

Seguindo pelos caminhos tortuosos de nossa alma, somos invadidos pela sensação de que sempre estaremos perdidos dentro dela. Deveras não há solução, pois trata-se de um emaranhado impossível. Porém, a busca por novos caminhos a seguir é o que nos mantém vivos, e essa é a graça da viagem: não ter destino certo. O estado sublime de se deixar levar, sem preocupações.

Algumas das chaves que abrem as minhas portas são constituídas pela minha imaginação. Expressada por palavras combinadas que, de um modo quase mágico, vêm a mim, juntam-se (ou eu as junto), e revelam meus segredos. Minha alma então pode se metamorfosear. Ela é externada, materializa-se. Torna-se visível tanto para os outros, como para mim mesmo. Porque, se me é possível enxergar-me diante de um espelho, é através de meus escritos que consigo vislumbrar, de alguma forma, a minha alma como um todo. Assim eu continuo a percorrer por entre meus universos e, ao mesmo tempo, me conhecendo (ou seria re-conhecendo?) melhor. Enfim consigo me encontrar.
Volto-me novamente à minha busca pelas palavras certas. Insisto. No entanto, constato: realmente não tenho muita escolha. Quando me coloco a escrever, transcrevendo para o papel essas palavras que vêm até à mim, estou na realidade tentando aquietar o meu espírito. Mas se ele continuar confuso e sombrio, então meus escritos serão confusos e obscuros. Sem medo, sem restrições. Um reflexo fiel, uma viagem sem fim.

sábado, 6 de agosto de 2011

Lições para a Nossa Luta Diária

Numa luta de boxe, se você apenas se esconder, suas chances de vencer serão nulas. A sua covardia certamente irá se apoderar de você e o fará paralisar, a ponto de todo o seu treinamento para aquele momento, ir por água abaixo. Mesmo que você fosse melhor que o seu adversário, sua superioridade seria anulada pelo medo paralisante. Inevitavelmente, o medo estará com você durante os minutos de árduo duelo. E embora ele seja algo instintivo e natural, que na medida certa o protege, não deve sobrepor-se ao objetivo maior de atacar o oponente.

Fugir e se esconder, definitivamente não é o caminho para a vitória. É preciso encarar o problema - no caso, o seu oponente golpeando você - de frente, de olhos bem abertos. É muito mais fácil bater em um animal acovardado e resignado. Você se esconder do problema, é permitir que ele o golpeie sem resistência. E mais, mesmo com você fugindo covardemente, os minutos do round serão sempre os mesmos. Passarão lentos e dolorosamente, caso não desista antes do final da luta.

Encare o fato: você está numa luta. E está para vencer.

Sem dúvida, há momentos em que você deve se esquivar e se proteger (não se esconder). Utilize-se destes momentos. É a hora de respirar (sim, é possível respirar enquanto apanha, lembre-se, você treinou para isso) e analisar os movimentos do oponente. E com base nisso, atacar na hora certa e do modo certo.

Porém, se você estiver sempre se escondendo, com medo de encarar o seu problema, seus olhos estarão sempre fechados: nenhuma reação será possível. Você se resignará à iminente derrota: o problema vence. Você é nocauteado, de olhos fechados, sem nem ao menos saber de onde viera o soco fatal.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

INEVITAVELMENTE AMANHÃ


Você sente que já dissera todas as palavras. Vem o vazio, o torpor.
Inevitavelmente chega o amanhã e você acordará para ir trabalhar. Calado.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

TRABALHO, SANGUE E PÓLVORA


Foi mais uma longa noite de trabalho, sangue e pólvora. Ambos agora em casa, no seu refúgio, longe de toda aquela porcaria das ruas.

E então ela parou tudo e lhe perguntou: “Será que isso ainda vai nos matar algum dia?”. Essa era exatamente a pergunta que ele se fazia todos os dias. Porém, manteve-se impassível: “Não sei, continue chupando”.

A mesma ideia poderia estar perturbando ambas as mentes, mas aquele não era momento para discussões.

terça-feira, 27 de julho de 2010

COMUNICAÇÃO E ENIGMAS: DECIFRA-ME

Por muitos anos fechara-se em si mesmo e ouvia somente as palavras que vinham do seu âmago. Assim, sua essência foi sendo preenchida por enigmas e segredos sobre si.
Então invocou um pensamento que o despertou e resgatou-o de seu abismo solitário. Supostamente, era um pensamento corajoso: “Só consegue quem tenta”. Porém, mais fácil do que o pôr em prática, era mantê-lo apenas na mente.
Mas hoje ele resolveu se impor e descobrir-se para o mundo: limpou sua mesa e se pôs a escrever. Sentou-se. De costas para a cama: hoje os sonhos vão esperar. “Agora eu quero o mundo como meu ouvinte”. Eis que todos ouçam o eco da sua alma através das suas palavras escritas.
Ele quer tentar, mas conseguir é outra história. Enquanto ainda mantém em mente o lema “só consegue quem tenta”, rabisca automaticamente na sua folha de papel “só tenta quem consegue”. Tudo errado! Embora suas palavras sejam o reflexo da sua alma carregada de mistérios, são justamente as palavras que traem sua intenção de se comunicar com o mundo.
Sua necessidade parece ter se transviado. Seus valores se inverteram. Inverteram-se tanto, que os seus escritos demonstram que ele quer que o mundo o decifre (e não o contrário). Inconscientemente, essa é a sua verdadeira busca.

sábado, 17 de julho de 2010

PÔR DO SOL DUAS VEZES

Eu estava com um grupo de pessoas, era de tardinha mas já escuro, já anoitecido. Então, subitamente, o céu clareou novamente e o sol começou a se pôr outra vez. Mas desta vez era algo mais belo que o normal. Pois todos sabiam: o sol se pôr duas vezes era algo que não acontecia todo dia. Era o habitual se transformando em fantástico.
Era lindo. As pessoas correram para ver essa maravilha. Porém, eu não pude. Minhas pernas me pareciam muito pesadas. Não conseguia andar. Me senti preso a alguma coisa desconhecida, invisível. Todos lá fora, de pé sobre o gramado assistindo ao segundo pôr do sol do dia. E eu cambaleando ao tentar andar, olhando para o chão e para minhas pernas quase estéreis, devorando minha consciência.
Entretanto, aquelas eram as MINHAS pernas. Eu realmente não podia culpar nada além de mim mesmo. Concluí também que no dia seguinte, se me fosse possível, eu não perderia a oportunidade de contemplar algo tão lindo como o pôr do sol, mesmo ele sendo o primeiro e único daquele dia que viria. Isso não faria dele menos belo, seria maravilhoso do mesmo jeito.

sábado, 29 de maio de 2010

ANOTAÇÕES SOBRE "ANGÚSTIA", DE GRACILIANO RAMOS

Escrever sobre Angústia, de Graciliano Ramos, é tentar transcrever o quão importante tal obra foi para mim. Esse livro me foi um marco porque realmente foi ele que me fez abrir meus olhos para a literatura brasileira, que antes eu achava muito chata. Isso se deveu talvez pela falta de maturidade minha na época; pela obrigação imposta pela escola que tentava empurrar goela abaixo certos livros; ou também porque eu estava envolvido com a literatura estrangeira, como Agatha Christie, Tolkien e Sherlock Holmes.

Além da mudança de olhar sobre a literatura brasileira, Angústia me foi um divisor de águas também diante da forma de narrativa. Nos meus primeiros contatos com os livros, desde a infância, a maioria das histórias priorizavam as ações das personagens envolvidas ao invés de se aprofundar e saber dos porquês dos atos cometidos por elas. Salvo os livros da Agatha Christie onde, por exemplo, o detetive presente em vários de seus romances, Hercule Poirot, utilizava-se muitas vezes da psicologia para desvendar os crimes. Mas mesmo assim, não havia um mergulho na mente das personagens. Foi então que eu me vi, conforme lia Angústia, dentro da mente de Luis da Silva, personagem-narrador da história. Percebi essa outra vertente da literatura, desconhecida por mim até então, a narrativa subjetiva.

Eu me recordo de como foi o desenvolver da minha leitura de Angústia. Assimilava o estilo de escrita de Graciliano: pausado, períodos curtos, frases incisivas. Comecei devagar, lia todas as noites antes de dormir, porém avançava sempre poucas páginas. Depois embalei e as páginas fluíram num ritmo mais intenso. Talvez isso tenha me proporcionado uma melhor absorção daquele universo de Luis da Silva. Aos poucos me acostumava com o seu modo de vida pacato e seu jeito complexado de pensar.

Escritor numa repartição próxima sua casa, Luis da Silva morava praticamente sozinho, tinha como companhia apenas sua empregada, uma velha que passava os dias atarefada e distante do seu patrão. Embora sempre com visitas em casa, as quais se tornariam habituais e incomodas, era um ser solitário. Pois, tanto quanto as visitas, quanto o resto das pessoas, não lhe importavam muito. Irritava-se facilmente com elas. É aí que surge uma pessoa que muda sua vida: Marina. Apesar do alto teor romântico da última frase que escrevi, alerto: Não! Angústia não é piegas, pois o que mais está em jogo na narrativa não é o eventual amor que Luis nutre por Marina, e sim como ele pensa e reage quanto às desavenças que ocorrem.

Enfim, o livro discorre sobre os conflitos psicológicos vividos pela personagem-narrador Luis da Silva, onde se encontra Marina no centro de tudo isso. E nada melhor para se adentrar nos pensamentos de alguém se não for ele mesmo quem conta os fatos. Tudo sob seu ponto de vista. E você, leitor, fica preso aos seus olhos, que se tornam o fator principal da história.

terça-feira, 23 de março de 2010

SANGUE E ÁGUA SUJA

É como se fossem milhares de agulhas perfurando todo o meu corpo. É como se derramasse todo o meu sangue. Capaz de encher uma banheira inteira. Então eu mergulharia nela. Mas depois, querendo mais, despejaria ali o seu sangue também.
"Não, não se assuste", dizem os glóbulos brancos. Ao passo que os vermelhos dizem: "É tudo uma questão de anatomia". E eu digo o mesmo a você.
Se eu pudesse beber todo esse sangue. Beber o sangue de todo o mundo, beberia todo o conhecimento da Terra, pois a sabedoria das pessoas está presente no seu sangue. Aí eu seria O Todo Poderoso, poderia ser Deus, seria quem está acima de tudo.
Mas enquanto ainda não posso fazer nada disso, fico aqui... Comendo essa comida estragada e bebendo essa água suja.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

VENHA


QUALQUER LUGAR
ALGUM LUGAR

FAZ-ME ME PENSAR
O QUÃO PEQUENO
SOMOS NÓS

ENTÃO VAMOS LÁ
VENHA A MIM

VIAJAR

PELO ESPAÇO QUE VOCÊ DESCONHECE

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

VIAGEM



Coisas estranhas podem nos acontecer.
As luzes dos teus olhos podem viajar sobre o mar.
E sem eu perceber, estou nadando nos seus cabelos.
Inesperado, viajo com você.
Inesperado, estou com você até hoje.
Você está voando no mar que é minha mente.
Minhas ondas cerebrais te envolvem,
Então você flutua.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A MANSÃO

Anotações sobre a casa onde William Wilson, narrador do conto "William Wilson", estudou e cresceu. Baseado no conto de Edgar Allan Poe.

Sempre quando o narrador se refere à mansão onde foi sua primeira escola, onde viveu a maior parte da sua mais tenra fase, e onde grande parte da trama se desenvolve, ele a descreve como irregular e se utiliza de tons oníricos. Lugar de sonho, vetusta e com inúmeras amplas salas, era campo fértil para a imaginação, ou até mesmo um caminho à loucura. E todos esses atributos não se limitavam apenas à mansão, mas serviam também para toda a aldeia que ela se encontrava. A brumosa aldeia, possuía em suas entranhas largas sombras que recobriam suas avenidas. Casava-se perfeitamente com a atmosfera sinistra, porém, tranqüila da acadêmia. Um invólucro de sonho, loucura e imaginação.
A casa, de uma dimensão indizível, parecia ter o poder de absorver seus alunos, sorvendo-os por seus incontáveis aposentos. Os estudantes se perdiam facilmente dentro da mansão; viam-se desprovidos de qualquer senso de direção, não sabendo nem mesmo se estavam no térreo ou em algum outro andar superior.
“Mas a casa! Que edifício estranho e antigo!”, descreve o narrador. Eram corredores tortuosos que levavam a salas; salas que levavam a subsalas; subsalas que continham escadas que sem razão aparente passavam de um nível a outro. Uma mansão qual a mente humana é: múltiplos caminhos e possibilidades. Emaranhados.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

DEFINHAR

Estou triste nesses dias. O passado pode interferir tanto no presente assim? E vedar seus anseios para o futuro, e nublar toda a sua mente com lembranças - que não são nem suas – portanto, que são incontroláveis. O passado pode, ele tem poder. O tempo destrói tudo, infelizmente.
Sinto-me sendo definhado pelo passado. Coisas vividas por outra pessoa, mas que me atingem em cheio, corrói meu amor. E tenho medo de que o presente não consiga derrotar os tempos que se foram, condenando os tempos que virão. Pressinto um futuro amargurado e agarrado ao passado.