quinta-feira, 16 de agosto de 2018
quinta-feira, 31 de maio de 2018
Birthday ride, lifetime ride
Tomorrow is my birthday. And to celebrate my 28 years old, today I
rode 128 kilometers for almost 5 hours on my bike, alone. Actually, I
had planned to ride more (150 km), but the life experience learned me
that each day has a different limit, and sometimes you have to respect
that.
When you are in a long ride, many situations happen, and many feelings invade you: laziness, hope, cold, hot, thirsty, hungry, satisfaction, exhaustion, confusion, happiness… Sometimes all in the same time. I like to think of that as a metaphor of our lives with its differents moments: wind, fog, sun, rain, curves, climbs, downs…
I rode to many roads, far away from everything, far away from the urban chaos. Out of the city fortress with its silly life and pollution. I can’t explain my great satisfaction of go away and breath some fresh air and enjoy the green scenario. The nature doesn’t judge you. That’s why I gave that gift to me.
Those hours alone and far away, give you much time to think. And in moments like that I always have many, MANY thoughts (even when I try to stop thinking, my mind doesn’t give me peace). But, some thoughts make me happy.
One of those reflexions, it’s the ideia of making a parallel between ride a bike and our lifetime. Because when you are riding, of course you have as objective ride some kilometers or go to somewhere. But the finish line it’s not the only thing you care. However, more important, it’s the way you go there (for example, you could go by bus or car, but prefer to go by bike, because of the experience that way will gives to you). And in our lives, sometimes, we ignore the path and all other things around us and care only about our final objectives (professional success, money, marriage, children, house, posses, recognition, books, drugs, sex, luxury, trips…). But, if we only focus on the objectives, we forget to see the beauty of each moment right here right now! Therefore, we must enjoy the paths of our lives as in a bike ride! So, slow down, live each moment and try to absorb every good energy it gives to you. Don’t wait to enjoy your life only after you reach all your goals. Because can be too late.
So… back to my today’s ride.
As I said, I was riding alone. But, even when you think you are indeed alone and don’t need anyone, things happen to make you fall from your selfish.
In the middle of the ride, I had problems with the bar of my bicycle. So, I had to stop and adjust some pieces to try to fix it. But I was with difficulties and almost giving up. Then, a simple man named Claudinei, appearing 50 years old, stopped his car and went to help me. After some minutes and tries, we found the problem and solved it together. That’s can be another metaphor of our lives. Sometimes we need help. And it’s ok. One day you receive help, another day you give help for your family, friends, or even to an unkonwn. That’s life. We are not alone, never. So we should share our experiences, feelings and paths.
When you are in a long ride, many situations happen, and many feelings invade you: laziness, hope, cold, hot, thirsty, hungry, satisfaction, exhaustion, confusion, happiness… Sometimes all in the same time. I like to think of that as a metaphor of our lives with its differents moments: wind, fog, sun, rain, curves, climbs, downs…
I rode to many roads, far away from everything, far away from the urban chaos. Out of the city fortress with its silly life and pollution. I can’t explain my great satisfaction of go away and breath some fresh air and enjoy the green scenario. The nature doesn’t judge you. That’s why I gave that gift to me.
Those hours alone and far away, give you much time to think. And in moments like that I always have many, MANY thoughts (even when I try to stop thinking, my mind doesn’t give me peace). But, some thoughts make me happy.
One of those reflexions, it’s the ideia of making a parallel between ride a bike and our lifetime. Because when you are riding, of course you have as objective ride some kilometers or go to somewhere. But the finish line it’s not the only thing you care. However, more important, it’s the way you go there (for example, you could go by bus or car, but prefer to go by bike, because of the experience that way will gives to you). And in our lives, sometimes, we ignore the path and all other things around us and care only about our final objectives (professional success, money, marriage, children, house, posses, recognition, books, drugs, sex, luxury, trips…). But, if we only focus on the objectives, we forget to see the beauty of each moment right here right now! Therefore, we must enjoy the paths of our lives as in a bike ride! So, slow down, live each moment and try to absorb every good energy it gives to you. Don’t wait to enjoy your life only after you reach all your goals. Because can be too late.
So… back to my today’s ride.
As I said, I was riding alone. But, even when you think you are indeed alone and don’t need anyone, things happen to make you fall from your selfish.
In the middle of the ride, I had problems with the bar of my bicycle. So, I had to stop and adjust some pieces to try to fix it. But I was with difficulties and almost giving up. Then, a simple man named Claudinei, appearing 50 years old, stopped his car and went to help me. After some minutes and tries, we found the problem and solved it together. That’s can be another metaphor of our lives. Sometimes we need help. And it’s ok. One day you receive help, another day you give help for your family, friends, or even to an unkonwn. That’s life. We are not alone, never. So we should share our experiences, feelings and paths.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
corpo máquina
eu já me sujei com graxa muitas vezes para agora poder estar aqui deslizando pelo asfalto. pernas motor de impulso fazem meus pés girarem a 12 centímetros do chão. a engrenagem roda. a máquina nunca quer parar. homem máquina na sua mais perfeita sintonia simbiótica. ajustes finos a transformam na extensão de um corpo em movimento constante e sincronizado. coração bate forte. pernas queimam. o vento sopra.
passar por latas invólucros de vidros escuros que protegem seres que nunca se arriscam em sentir o vento. proteção a todo custo contra um sistema perigoso. eu não. eu deslizo pelo asfalto e o som do vento é a canção que me falta quando passo o dia inteiro dentro de caixotes de concreto a olhar para a tela luminosa que reflete uma realidade intangível. estática zona de conforto em forma de trabalho alienado.
mas continuo me sujando. e o corpo a sangrar é o preço que se paga por estar vivo e ainda desfrutar de alguma liberdade de escolha. não quero ser igual vocês. e quem nunca se arriscou não sabe de todos os buracos do asfalto e não sabe que deslizar por ele também é cair de vez em quando. numa fração de segundo tudo pode mudar. é o risco que te acompanha a todo instante.
atingir o sublime estado de atenção plena ao manter meu corpo máquina numa operação contínua adiante. me faz respirar ar puro. girar. fazer a máquina acelerar. um vício sucessivo.
passar por latas invólucros de vidros escuros que protegem seres que nunca se arriscam em sentir o vento. proteção a todo custo contra um sistema perigoso. eu não. eu deslizo pelo asfalto e o som do vento é a canção que me falta quando passo o dia inteiro dentro de caixotes de concreto a olhar para a tela luminosa que reflete uma realidade intangível. estática zona de conforto em forma de trabalho alienado.
mas continuo me sujando. e o corpo a sangrar é o preço que se paga por estar vivo e ainda desfrutar de alguma liberdade de escolha. não quero ser igual vocês. e quem nunca se arriscou não sabe de todos os buracos do asfalto e não sabe que deslizar por ele também é cair de vez em quando. numa fração de segundo tudo pode mudar. é o risco que te acompanha a todo instante.
atingir o sublime estado de atenção plena ao manter meu corpo máquina numa operação contínua adiante. me faz respirar ar puro. girar. fazer a máquina acelerar. um vício sucessivo.
terça-feira, 22 de agosto de 2017
seria a Esperança o Inferno dos Homens?
infrutífera
distorcida
confundida entre o real e o infinito
um sorriso sem maldade
você é quem vive
pra descobrir se isso vale
aquela palavra que gosta tanto
sem conseguir
alcançar sua importância
percepções que se confundem
sentimentos que se afogam
num devir que nunca chega
é esperança morta
deliberadamente abortada
infrutífera
distorcida
confundida entre o real e o infinito
um sorriso sem maldade
você é quem vive
pra descobrir se isso vale
aquela palavra que gosta tanto
sem conseguir
alcançar sua importância
percepções que se confundem
sentimentos que se afogam
num devir que nunca chega
é esperança morta
deliberadamente abortada
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Busca ou loucura
É interessante como nossa busca por dar sentido às coisas, pode nos
levar a formular teorias e percepções que beiram à loucura. Mas, por
outro lado, foram os loucos do passado que mudaram o curso da História
ao longo dos anos em que suas ideias não se encaixavam com a realidade
da época. E que séculos depois puderam enfim serem reconhecidas e
utilizadas. Pois, vejam só que loucura, a Terra girar em torno do Sol!
300 anos atrás, quem afirmasse isso era tido como demente, fora de si, herege, bruxa: digno de morrer na fogueira. E quantos não foram?
Então a linha que separa a ampla certeza da loucura é muito tênue. Para quem duvida.
E nossa eterna busca por tentarmos entender e dar sentido a tudo, nos levará à sabedoria universal ou à loucura niilista coletiva? Pois ao criarmos nosso mundo nesses moldes tão volúveis e líquidos, nossas concepções tornam-se descartáveis, os valores se perdem e nos tornamos subprodutos de algo que nem alcançamos mais – uma vida sem sentido afinal. É um salto para o nada, um precipício vazio de significado.
Então a linha que separa a ampla certeza da loucura é muito tênue. Para quem duvida.
E nossa eterna busca por tentarmos entender e dar sentido a tudo, nos levará à sabedoria universal ou à loucura niilista coletiva? Pois ao criarmos nosso mundo nesses moldes tão volúveis e líquidos, nossas concepções tornam-se descartáveis, os valores se perdem e nos tornamos subprodutos de algo que nem alcançamos mais – uma vida sem sentido afinal. É um salto para o nada, um precipício vazio de significado.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Após assistir Making a Murderer
Após terminar de assistir à série-documentário Making a Murderer, o
sentimento é de ter levado um soco na boca do estômago. A mão pesada e
inexorável do sistema. A autoridade do Estado com todo seu aparato para
perpetuação do seu poder, custe o que custar. Manipulando cenários para
que haja a aceitação geral de que se deve apenas encontrar um culpado, e
não necessariamente a verdade sobre os fatos. A sensação de impotência,
de fraqueza, de revolta e,
principalmente, de injustiça. Aquela Justiça que deveria sempre ser cega
e fiel à premissa de que qualquer cidadão é inocente até que se prove o
contrário; e a mídia faz seu pérfido papel contra isso perpetuando
diariamente sua narrativa pós-verdade, condenando pessoas antes mesmo
delas merecerem algum tipo de julgamento legal - a opinião pública de
espíritos fracos agradece o alimento-lixo fast food de manchetes
baratas. Essa Justiça que, nas mãos de mal intencionados (e por aí tem
muitos!), serve como instrumento para justificar e/ou ocultar atos
hediondos de quem detém o poder. Instituições que buscam, antes de tudo,
manter sua "reputação" imaculada para deixar as coisas como elas estão -
a seu favor, é claro. E sim, é muita ingenuidade pedir para quem detém o
poder para mudar o poder.
Infelizmente, só quando algo parecido acontece conosco ou alguém próximo é que de fato entendemos as falhas e a podridão desse sistema.
Making a Murderer nos faz sentir assim.
Infelizmente, só quando algo parecido acontece conosco ou alguém próximo é que de fato entendemos as falhas e a podridão desse sistema.
Making a Murderer nos faz sentir assim.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
É muito mais cômodo despejar nos outros a razão de todos os problemas do
mundo. É menos trabalhoso ao intelecto também. Generalizar e se eximir
da culpa, com a típica vida de pessoa de bem, de bons costumes, dos
arrotos de demagogia barata nos almoços de família em volta do gado
morto à mesa. Limitada visão e rasa análise sobre os fatos e sobre as
pessoas. Destilando em vinho mórbido sua moral excludente. Tudo para
conseguir deitar-se à noite com a cabeça no travesseiro crendo
que fez seu bom papel para a sociedade e que nada manchará sua imagem
de justiça seletiva e quase divina. Os céus o aguarda, com ruas de ouro
pilhado das Américas, outrora a terra invadida infestada de seres
descartáveis sem alma, sem pólvora e sem igreja.
O inferno são os outros, já era dito décadas atrás. Mas, no final, opositores e aliados compartilham do mesmo fogo que arde nossos corações, pela nossa pele, chama nosso ódio ou aquece nosso amor.
O inferno são os outros, já era dito décadas atrás. Mas, no final, opositores e aliados compartilham do mesmo fogo que arde nossos corações, pela nossa pele, chama nosso ódio ou aquece nosso amor.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
um remédio
algo que me equilibre da corda bamba
vertigem nesse precipício aos meus pés
escuridão sempre a me chamar
um antídoto
para não mais passar o vírus que há em mim
algo que dê cor às minhas palavras ao vento
o céu sempre a me chamar
do céu ao inferno
de um segundo a outro
a me balançar
desequilibrar
cair
algo que me equilibre da corda bamba
vertigem nesse precipício aos meus pés
escuridão sempre a me chamar
um antídoto
para não mais passar o vírus que há em mim
algo que dê cor às minhas palavras ao vento
o céu sempre a me chamar
do céu ao inferno
de um segundo a outro
a me balançar
desequilibrar
cair
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
“O livre comércio, isto é, o livre monopólio, é a santa aliança dos grandes feudatários do capital e da indústria, a argamassa monstra que deve terminar em cada ponto do globo a obra começada pela divisão do trabalho, pelas máquinas, pela concorrência, pelo monopólio e pela política econômica; esmagar a pequena indústria e submeter definitivamente o proletariado. É a centralização em toda face da terra desse regime de espoliação e de miséria, produto espontâneo de uma civilização que começa, mas que deve perecer logo que a civilização tiver adquirido consciência de suas leis; é a propriedade em sua força e sua glória. E é para introduzir o consumo desse sistema que tantos milhões de trabalhadores estão famintos, tantas criaturas inocentes ainda amamentando atiradas no nada, tantas jovens e mulheres prostituídas, tantas almas vendidas, tantos caracteres emurchecidos! Se ao menos os economistas soubessem de uma saída para esse labirinto, de um fim para essa tortura. Mas não, sempre! Nunca! Como o relógio dos condenados, é um refrão do apocalipse econômico. Oh! Se os condenados pudessem queimar o inferno!”
— Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria - Proudhon
— Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria - Proudhon
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
"
Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.
A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista.
”
— O Povo Brasileiro, p.120 - Darcy Ribeiro.
Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que também somos. Descendentes de escravos e de senhores de escravos seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais, quanto pelo exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças convertidas em pasto de nossa fúria.
A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista.
”
— O Povo Brasileiro, p.120 - Darcy Ribeiro.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Por um desses caminhos
Alguns absurdos pra contar, era o que ele tinha, era o que sempre quisera ter coragem de dizer. Sentir o que estava à sua volta e recriar seu universo em algo mesmo incompreensível, pois o que deseja parece não ser racional. Engana-se. Acostuma-se com o cotidiano. Quantos sonhos já desperdiçara por ele próprio não acreditá-los? Então os deixa voarem para o céu e se transformarem em estrelas, apenas pontos distantes de luz e energia - à noite a vislumbrar. Quem sabe alguém ainda chegue a viajar na velocidade da luz, muitas histórias vai encontrar por esses caminhos. No dia a dia, não. Cala-se. E na solidão revive situações. Pena que só para ele mesmo.
Foi então numa de suas caminhadas solitárias pela cidade que viu, ao longe, seu pai. Furtivo, não fez questão de se mostrar, apenas observá-lo comprando pães numa padaria qualquer. Fazia muitos anos que não o via e ainda não sabia se sentia ou não saudades. Mas ficou impressionado ao constatar que o velho não envelhecera quase nada desde a última vez que o vira. E ele, Rubian, já tão castigado pelo tempo...
Foi então numa de suas caminhadas solitárias pela cidade que viu, ao longe, seu pai. Furtivo, não fez questão de se mostrar, apenas observá-lo comprando pães numa padaria qualquer. Fazia muitos anos que não o via e ainda não sabia se sentia ou não saudades. Mas ficou impressionado ao constatar que o velho não envelhecera quase nada desde a última vez que o vira. E ele, Rubian, já tão castigado pelo tempo...
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Visitante
Alguém bate à porta. A essa hora, acho um escrúpulo. Só pode ser notícia ruim, pois já começou mal em me despertar do meu sono leve. Desgraço-me por ter ouvidos tão sensíveis. Amigo também certamente não é, sendo que já perdi todos por conta da minha vaidade e egoísmo.
Penso então em não atender, fingir que não tem ninguém em casa, que viajei, que estou morto... Olha só, minha tendência ao sumiço!
Mas apesar de tudo eu sou curioso... Porém não mais que preguiçoso... Não! Não vou me levantar! Oras, é o meu momento de descanso. Já não basta a insônia que, aliada a minha preguiça, me sujeitam a não sair mais de casa, e, sem dormir, jogado na cama, só me levam a pensamentos de tristeza, solidão e desesperança.
As batidas continuam, insistem na sua inexorável operação. No relógio digital ao lado da minha cama, marca, precisamente, 01:15:11. Parece até um horário proposital do meu visitante indesejado. Esses números me assustam por algum motivo misterioso. Tem coisas que não se explicam.
De repente, silêncio.
Espero um pouco...
Então, após um rápido intervalo, as batidas voltam da mesma forma. E esses intervalos entre as batidas tornam-se abissais: é como se fossem o anúncio da eternidade que se aproxima de mim. Eu sempre apreciei muito o silêncio, mas esse silêncio gela minha espinha. Evoca o vazio do fim dos tempos, as chances sem volta, o não-futuro escuro. O fim definitivo da passagem do tempo.
Não sei se para meu alívio ou desespero, as batidas na porta rasgam novamente o silêncio e me despertam do meu estado de torpor.
Fico então no escuro, quietinho, deitado debaixo do cobertor: só com os olhos de fora. Um medo mortal assola meu espírito. Não sei por quê, mas sinto calafrios como se a morte estivesse ali. Será que não vale nem uma última partida de xadrez?
As batidas implacáveis se repetem agora mais fortes, impacientes.
Sete pancadas eu contei.
Seguidamente que chegam a tremer todo o meu pequeno e sujo apartamento.
Sete pecados.
Sete palmos.
Sete anos que recusei o seu amor.
Sete batidas novamente.
A sete palmos.
Enterrado.
Quem me bate a porta?
quinta-feira, 28 de abril de 2016
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
#Anotações: Demian - Hermann Hesse.
Um livro humano na sua mais pura essência. Acompanha a ascensão da
individualidade de Emil Sinclair, um jovem que se desgarra das convenções, da
educação patriarcal e da moral advindas do universo familiar em que nasceu. Para isso, atravessa por
dois mundos: o luminoso (ideal), constituído pelo seu ambiente familiar, e o sombrio
(real), constituído pelo mundo externo com todos os seus encantos, mistérios e medos. Dessa dualidade de realidades em conflito nasce sua
individualidade. Assim ele cria suas próprias regras, seu sentido de vida
e vislumbra o nascimento do seu eu emancipado.
A trajetória, porém, é árdua. O caminho se dá por intensas reflexões sobre as imagens inconscientes de seus sonhos (psicologia junguiana) e reviravoltas de seus ideais e crenças a partir da observação do mundo que o cerca e assusta. Revolta-se com a realidade e com a sociedade burguesa do seu tempo. E assim como na filosofia de Nietzsche, não admite que os seres humanos sejam reduzidos a rebanho, o qual aceita tudo o que lhe impõem de forma servil e resignada.
Emil Sinclair encontra-se então em si mesmo, ou assim irá perseguir até o fim dos seus dias, construindo sua própria história de vida no mundo. Uma jornada tendo como guia e amigo: Max Demian.
A trajetória, porém, é árdua. O caminho se dá por intensas reflexões sobre as imagens inconscientes de seus sonhos (psicologia junguiana) e reviravoltas de seus ideais e crenças a partir da observação do mundo que o cerca e assusta. Revolta-se com a realidade e com a sociedade burguesa do seu tempo. E assim como na filosofia de Nietzsche, não admite que os seres humanos sejam reduzidos a rebanho, o qual aceita tudo o que lhe impõem de forma servil e resignada.
Emil Sinclair encontra-se então em si mesmo, ou assim irá perseguir até o fim dos seus dias, construindo sua própria história de vida no mundo. Uma jornada tendo como guia e amigo: Max Demian.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Vozes no meu subsolo
Vivo no meu subsolo. Aqui vem se acumulando a poeira trazida pelo vento da superfície, sempre que você abre a porta e me convida pra sair - e eu digo não. Um rápido instante até eu voltar à solidão. Meu íntimo calabouço.
Desacostumado à atmosfera lá de fora, quase me sufoco ao respirar. Pois a poeira trazida pelo vento é algo externo que não faz parte desse meu habitat. Nem de mim. Assim insisto em querer acreditar.
E é engraçado como não cismo em tentar escapar. Em escavar minhas velhas angústias e ver o mar, em alcançar o solo e ver o sol. Eu troco os sabores da vida por um pouco de paz.
Aqui sobrevivo com pouco. Minhas débeis palavras jogadas no chão empoeirado, inertes e já sem significado, é o que me satisfazem e me alimentam no momento. Porém não me dão esperança. Procuro disfarçar.
Mas como você mesmo diz, todos nós somos feitos da poeira das estrelas: talvez essa mesma poeira que insiste em entrar por minha porta. Então são as vozes das estrelas me dizendo pra tentar, tirar-me do sossego. E me lembrar de que de fato viemos da mesma matéria estelar. Um resgate universal.
Desacostumado à atmosfera lá de fora, quase me sufoco ao respirar. Pois a poeira trazida pelo vento é algo externo que não faz parte desse meu habitat. Nem de mim. Assim insisto em querer acreditar.
E é engraçado como não cismo em tentar escapar. Em escavar minhas velhas angústias e ver o mar, em alcançar o solo e ver o sol. Eu troco os sabores da vida por um pouco de paz.
Aqui sobrevivo com pouco. Minhas débeis palavras jogadas no chão empoeirado, inertes e já sem significado, é o que me satisfazem e me alimentam no momento. Porém não me dão esperança. Procuro disfarçar.
Mas como você mesmo diz, todos nós somos feitos da poeira das estrelas: talvez essa mesma poeira que insiste em entrar por minha porta. Então são as vozes das estrelas me dizendo pra tentar, tirar-me do sossego. E me lembrar de que de fato viemos da mesma matéria estelar. Um resgate universal.
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