sendo uma alma tão desordenada
errante me perdi há muito tempo
vagando por estreitos caminhos tortuosos
me equilibrando pra não cair em meus abismos
mas quando estou ao seu lado
caminhos surgem ensolarados
num tão nosso mundo que criamos
numa tão nossa realidade que escapamos
então na cama debaixo dos lençóis
ou nas praças sempre a conversar
andamos pela cidade de ruas sem fim
sentindo-nos os donos desse mundo
desse tão nosso íntimo paraíso
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
AFASTADO
sim estamos sozinhos
quase por decreto afastados
por força do egoísmo repelidos
cada um por si nos seus caminhos
notas musicais não partilhadas
tornam-se fendas rupturas
em almas tão desafinadas
que não têm graça nenhuma
torcendo pra dar tudo errado
eu não ligo eu vou em frente
pois a cair não estou fadado
por mais que pense diferente
acho que é isso mesmo
tão próximos mas tão distantes mentes
assim, tão distante amantes
quase por decreto afastados
por força do egoísmo repelidos
cada um por si nos seus caminhos
notas musicais não partilhadas
tornam-se fendas rupturas
em almas tão desafinadas
que não têm graça nenhuma
torcendo pra dar tudo errado
eu não ligo eu vou em frente
pois a cair não estou fadado
por mais que pense diferente
acho que é isso mesmo
tão próximos mas tão distantes mentes
assim, tão distante amantes
terça-feira, 28 de outubro de 2014
VAZIO QUE NÃO ENCERRA NADA OU SÓ AR
é algo além daqui que eu busco
é uma procura incerta
por fronteiras desertas
mergulho no vazio
sob um céu sem estrelas
ou num mar de sereias
algo meio assim
sem sentido
sem destino
e vazio de razão.
o ar que respiro.
é uma procura incerta
por fronteiras desertas
mergulho no vazio
sob um céu sem estrelas
ou num mar de sereias
algo meio assim
sem sentido
sem destino
e vazio de razão.
o ar que respiro.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
NIETZSCHE - ALÉM DO BEM E DO MAL
"Admitir o erro como condição da vida é rebelar-se
contra os atuais conceitos de valor, e uma filosofia que a tal se atreve
coloca-se por isso além do bem e do mal”.
- Nietzsche em Além do Bem e do Mal.
A frase é uma abordagem sobre nossa condição humana: vivemos
sempre sujeitos a errar durante nossa vida. É isso que nos faz humanos
(demasiadamente humanos, como o próprio Nietzsche diz), seres errantes sempre à
procura de uma verdade – seja ela individual ou em âmbito social. Mas a verdade
absoluta não existe, para existir deveríamos calar nossos pensamentos,
paralisar nossos passos e fechar nossos olhos. Nossa eterna busca, pode ser
também nossa eterna alegria em aprender com os erros.
Podemos errar e, admitindo-se os erros como condição da vida, voar acima do que se institui como moral ou verdade (valores de bem e mal). Aceitamos que podemos estar errados – e estaremos, sempre.
Chutar para longe as certezas que nos fazem acreditar que já
atingimos o ápice, a verdade, a razão, o tudo. Infamar todas as “certezas” e
valores da nossa sociedade em virtude de uma verdade desbrida, só nossa, livre,
que dê sentido, a cada indivíduo o seu próprio caminho.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
SOBRE POSIÇÕES URBANAS HUMANAS
O HOMEM
PROJETADO
RECORTADO E
FORA DO LUGAR.
O verdadeiro lugar do Homem é mesmo aprisionado na cidade?
Ou apenas nos projetamos como seres urbanos, como personagens de um filme mal dirigido. Recortando nossa verdadeira essência para que se encaixe em prédios, escritórios e ruas de concreto. O céu nublado da cidade com nuvens de fumaça carbônica é o limite dessa pobre existência pela metade.
Podemos estar no lugar errado. Fazendo tudo errado. Fugindo de nós mesmos.
Então, conhecer-se dá o poder de transformar o que há de mais importante: o seu eu interior, sua identidade sem rótulos urbanos, sua essência mais íntima e verdadeira. É tempo de ser você mesmo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
MOSTRAR
Tenho me sentido sufocado. Atolado em tantos pensamentos.
Afogado em tantas palavras não ditas, num mar de sentimentos reprimidos. E um
tanto culpado por não saber nadar direito.
Mas, e se por acaso na realidade eu for um cara do mar?
Algum novo tipo de ser. Uma nova espécie humana capaz de viver nas profundezas
do oceano, sem precisar respirar este ar carregado, pesado e podre que paira na
nossa atmosfera hoje em dia.
Tudo bem, posso estar exagerando e sendo pretensioso demais.
Exagerando no ponto de dizer que não preciso sair para ver o sol e respirar de
vez em quando. Realmente preciso disso, eu admito. Embora muitas vezes o ar me
sufoque e o sol queime meu rosto. É a nossa condição de estarmos vivos, não é?
Todos nós necessitamos disso. E, afinal, eu estou nesse mundo e preciso dar as
caras. Mas, intimamente, meus mergulhos solitários nas profundezas do meu ser
também deverão sempre acontecer. Para que eu não me esqueça da minha
origem.
Então, o que eu tenho que aprender é, após mergulhar no meu mar de sentimentos, voltar à superfície e permitir-me ficar molhado por alguns momentos. Me aceitar assim, deixar que o sol seque aos poucos minha pele já queimada. Respirar profundo, deixar que o ar encha meus pulmões necessitados de ar após um longo mergulho.
E mostrar ao mundo essas gotas de água salgada que escorrerão pelo meu rosto. Mostrar que também choro.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
domingo, 8 de dezembro de 2013
VIDA ERRANTE, CAMINHADA E TROPEÇOS
Há alguns dias uma amiga veio, com lágrimas nos olhos,
desabafar comigo. Devido a algumas intempéries que vinham se tornando pesadas
e constantes, ela estava visivelmente abalada. Após ouví-la, pude tentar
reerguê-la e fiquei feliz em, de alguma forma, conseguir fazer ela ver as coisas
de uma forma mais positiva. Fiquei feliz em poder ajudá-la dizendo coisas boas,
pois, eu também já passei por dias difíceis e sei o quanto conforta ter alguém
ao seu lado nesses momentos.
Então, é após situações como essas que faz eu perceber o
quão a vida se trata – e se faz assim – de uma caminhada intercalada com vários
tropeços. É importante cairmos para afirmarmos essa nossa condição de seres errantes: estamos, e para sempre estaremos, sujeitos a cair. Seja na caminhada
firme à algum destino certo ou ao vaguear perdido e sem direção. Mas, afinal: só cai quem está de pé, a caminhar, a viver.
Um passo de cada vez, um tropeço após o outro, e a
capacidade de reerguer-se. Tudo isso com a ajuda de quem sempre esteve ao seu
lado estendendo-lhe a mão. Caímos também para aceitarmos nossa necessidade de
ajuda nesses momentos que, inevitavelmente, sempre existirão no decorrer da
nossa caminhada. Por isso devemos aprender a reconhecer e valorizar quem nos
ajuda dessa forma.
Aceitar que tropeços sempre existirão na minha vida me
conforta e dá coragem para seguir me reerguendo deles. Torno-me uma espécie de
especialista em cair.
Sim, nesses últimos dias, eu caí. Mas estou me reerguendo.
Mais forte. Mais convicto de que a vida se faz assim. E, por fim, mais disposto
a enfrentar tudo isso de frente.
sábado, 21 de setembro de 2013
VITÓRIAS E DERROTAS
Por que você tem que ser o melhor em algo?
Por que você tem que ser o melhor em tudo?
Tire esse peso da sua cabeça.
Tire esse peso do seu coração.
Tire esse peso da sua vida.
Tire esse peso do seu coração.
Tire esse peso da sua vida.
E quando - inevitavelmente irá acontecer - se deparar com uma derrota, lembre-se: não exija tanto assim de si mesmo. Há o dia da vitória também. Mas apenas uma coisa é certa: as derrotas nunca serão em vão.
domingo, 4 de agosto de 2013
ADEUS, C.
Sim, eu vou seguir em frente
Mas sempre darei uma olhada para trás
E acenarei para você
Doce lembrança a partir de agora
Eu vou sentir um aperto, eu admito
Mas vou seguir feliz
E entender que essa vida é assim mesmo
Eu troco os espinhos das rosas que colhi
Pela lembrança do seu perfume
E você estará sempre comigo
Flutuando
Nos meus pensamentos
Doce lembrança
Adeus, C.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
AUTODESTRUTIVO, AFINAL.
Olha só, a minha capacidade em destruir tudo o que é
importante para mim. É essa sombra destrutiva que não se desgarra do meu ser.
Ferve em minha alma e dita minhas piores atitudes.
Eu peço desculpas, meu amor. Eu só virei um especialista
nessa matéria de dizer adeus quando na verdade gostaria de viver junto (e com
você eu gostaria). Eu não queria que
fosse assim. Não com você.
Sim, eu sei como lidar com as situações, é apenas essa sombra que me bloqueia às vezes... Em querer destruir. Destruição. E, ao afastar as pessoas que eu gosto e me fazem bem: autodestruição, afinal.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
ROSA AOS VERMES
Um
dia eu tatuei uma rosa em cada braço para nunca mais me esquecer de expressar e
dar vazão aos meus sentimentos. Para nunca me esquecer de demonstrar coisas
bonitas para as pessoas próximas a mim e, principalmente, para mim mesmo.
Sangrei. Me feri por isso. E levaria
esses desenhos gravados na pele até o fim da minha vida. Pelo menos achava que
assim ocorreria.
Mas agora, depois que matei meu
amor, é como se eu tivesse arrancado meus braços e os jogado no chão de terra
úmida.
Então eles apodrecerão fétidos no tempo. E eu assistirei aos vermes comerem meus braços jogados no chão. Aos
vermes comerem as negras rosas. Aos vermes comerem meus sentimentos.
Ao menos ficarei feliz, com um
estranho sorriso no canto dos lábios, por alguns momentos. Em alimentar tais
seres. E, inclusive, em assistir à tudo isso. Aquelas rosas enfim servirão
realmente para alguma coisa.
domingo, 17 de março de 2013
UM BRILHO DE MISTÉRIOS
Apesar de sempre vê-la atrás daquele balcão, eu não a conheço
praticamente nada. É a distância da timidez. Da minha, com certeza, da dela, eu
já não sei.
Ontem, num raro momento oportuno me aproximei e lhe
falei. Mistura de palavras banais com frases soltas, apenas para tentar quebrar
barreiras e me fazer presente. No entanto, suas respostas eram secas, tanto quanto meus
comentários sem sentido. Sim, nosso diálogo fora confuso e entrecortado. Enquanto isso, seus olhos buscavam fugir dos meus por algum motivo desconhecido para mim.
Então, quando nosso contato já se encaminhava para o fim,
ela finalmente fixou seus negros olhos nos meus. Infelizmente não fui capaz de
identificar se foi um olhar de ódio ou desespero. Mas, sim, havia um brilho
neles.
Agora eu penso nisso. Talvez ela se sinta sozinha o
suficiente para que, com a minha despedida embaraçada, tenha realmente sentido
esses dois sentimentos ao mesmo tempo. Ou, quem sabe, eu esteja inteiramente
enganado, já que eu não a conheço mesmo. Somente sei do brilho enigmático do
seu olhar.
Por fim, acho que prefiro deixar tudo assim mesmo: ela
envolta num véu de mistérios para mim. Pelo menos por enquanto...
segunda-feira, 11 de março de 2013
QUANDO ACIDENTALMENTE PERFURAR MEUS OLHOS
Quando acidentalmente eu perfurar meus olhos, o sangue que
escorrerá do meu vazio ocular terá passado antes pelo meu coração. Afinal é de
lá que ele vem.
E se novamente minha mente evocar a sua imagem, será agora o
reflexo visto pelos meus olhos jogados ali no chão a te contemplar, inertes.
Um acidente necessário para mudar nosso ponto de vista.
Assinar:
Postagens (Atom)

